Liderar em tempos de crise

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Por Adriana Silvestrini - adriana.silvestrini@sm.com.br - 01/06/2016

Os profissionais brasileiros têm dificuldades de reagir a situações difíceis e esperam que seus superiores tomem decisões por eles

Economia estável, consumidores comprando, empresas investindo e aumentando o quadro de pessoal. É muito mais fácil liderar num cenário favorável como esse. O que já não acontece diante de turbulências econômicas e políticas que afetam todos os setores da sociedade. Elas exigem maior proatividade e calma na tomada de decisões. O problema, segundo Adriana Gomes, consultora em gestão estratégica de carreira e professora da ESPM, é que boa parte dos líderes brasileiros, principalmente os de médio escalão, não estão preparados para enfrentar situações caóticas, como as que o País está vivendo atualmente. Entenda.

Como é possível identificar um bom líder durante crises, como a atual?

Um bom líder é eficaz. Ele consegue fazer o diagnóstico da situação e resolvê-la. Num momento de crise, ele mostra para a equipe o rumo que a empresa está tomando e, ao mesmo tempo, busca tranquilizá-la em relação ao que será feito e o que se espera dos liderados. Esse líder tem visão de futuro porque, além de comunicar, ele convida os funcionários para atravessarem juntos o momento difícil. Ele é como o capitão de um navio, que dá ordens e orienta o que deve ser feito com o objetivo de todos chegarem sãos e salvos ao destino final. Com a empresa, acontece o mesmo processo.

Como o gestor é visto quando precisa tomar medidas difíceis, como corte de custos, demissões e substituição de profissionais?

O bom líder é reconhecido pelo seu time, parceiros e sócios ao demonstrar coerência e segurança. Quando as pessoas sabem para onde estão caminhando, ficam mais tranquilas e colaboram. Se há insegurança, os sinais de estresse aumentam e a produtividade cai.

Qual é o maior desafio do gestor num momento difícil da empresa?

A demissão é um dos pontos mais difíceis, embora seja necessária para a empresa continuar funcionando. Além de dispensar o funcionário, normalmente fica uma sobrecarrega para aqueles que permanecem na empresa. Esses terão que, durante um tempo, trabalhar um pouco mais.

O líder brasileiro sabe agir diante do “caos”?

A maioria não sabe. Ainda é comum os líderes não terem iniciativa e entrar em pânico na hora de tomar decisões. Há muita dificuldade para as lideranças de médio e alto comando se apropriarem da situação e agirem. Claro que existem lideranças exemplares, mas ainda não correspondem à maioria. Para a média gerência, por exemplo, falta comando, capacidade de decisão. Ou seja, ao invés de ele tomar a decisão, joga para a liderança acima.

Por que isso ainda ocorre no Brasil?

Como disse, existe muita liderança centralizadora. Os líderes não delegam e com isso geram gargalos no processo. As pessoas ficam “infantilizadas” na sua gestão. Elas não podem tomar decisões porque alguém, acima dele, centraliza tudo. Mas também há pessoas que foram promovidas para liderança e não têm iniciativa ou perfil para ser líder. O que falta muito para se tornar um bom líder é desenvolver a capacidade comportamental, que nada mais é do que habilidade para lidar com as pessoas, saber mediar conflitos. O que se vê muito é gente com capacidade técnica demais e comportamental de menos.

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