Sem tecnologia loja não atrai jovens

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Por Adriana Silvestrini - adriana.silvestrini@sm.com.br - 09/11/2016

Pesquisa mostra que 37% desse público tem sentimentos negativos ao comprar em supermercados sem portar seus celulares

O que sente um rapaz ou uma moça quando ficam sem seu celular por perto? Para saber a resposta, a B2 - empresa de pesquisa especializada em jovens - selecionou 90 deles, de 17 a 30 anos, de todo o Brasil e pediu que eles realizassem algumas atividades rotineiras longe de seus smartphones. O resultado mostra que a maioria dos jovens – seus clientes hoje e amanhã – têm sentimentos negativos quando realizam atividades sem o celular por perto. De acordo com a pesquisa Radar Jovem de 2016, 37% disseram que sentiram desconforto e até angústia quando foram às compras no supermercado. Confira entrevista com Ricardo Buckup, CEO da empresa, que fala mais sobre a experiência.

Ricardo Buckup
CEO da B2 - empresa de pesquisa especializada em jovens

Por que a maioria dos jovens entrevistados (37%) decidiu ir ao supermercado sem o celular para participar da pesquisa?

Quando analisamos os depoimentos, os jovens enxergaram essa experiência como uma oportunidade para avaliar sua relação com o smartphone. Quando perguntamos a uma das entrevistadas como ela resumiria sua experiência, sua resposta foi a seguinte: “Estou dependendo do celular até para ir ao mercado”, ou seja, ficou confirmado que a relação do jovem com o smartphone está cada vez mais próxima também para comparação e consulta de preços, além de lista de compras. Quando vão consumir, os jovens gostam de negociar e pesquisam para saber as condições do produto.

Qual é o recado que eles dão aos supermercadistas com essa experiência?

A principal mensagem é mostrar que o celular é uma ferramenta que veio para ficar. É enxergá-la como uma oportunidade e não uma ameaça. O celular vem causando mudanças disruptivas, que rompem muitos comportamentos, principalmente nos de compra. Chegou a hora de repensar a abordagem e experiência como um todo. O pensamento do jovem é tão rápido quanto a sua capacidade de distração e, para manter uma conexão com eles, é necessário ser tão veloz quanto.

Considerando que, na vida “real”, as pessoas não irão ao supermercado sem celular, o que os varejistas podem fazer para ampliar vendas aos consumidores cada vez mais conectados?

É necessário pensar em uma experiência mais integrada entre on e off nos PDVs. Promoções nas gôndolas com mecânicas que integrem alguma ação no on, QR code, postagem de fotos e considerar o inverso também. Códigos promocionais online via redes sociais, apps e todos os pontos de contato possíveis hoje no mobile.

Como ele deve se adaptar ao fato de as pessoas consultarem preços e produtos antes de comprar?

Um dos estudos do Google já apontou que mais da metade das pesquisas hoje é realizada no mobile. Ou seja, o supermercadista deve estar cada vez mais atento a estratégias de search, SEO (otimização de sites) e outras ferramentas que estão presentes no universo digital dos consumidores. O canal digital não só oferece uma gama muito grande de ferramentas como também métricas e acompanhamentos em tempo real, facilitando a tomada de decisão e deixando-a mais assertiva. Porém, é importante lembrar que boa parte da experiência será realizada no offline, então a preocupação com uma estratégia 360 que amarre bem os dois momentos (on e off) é fundamental.

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