Só 22% compram itens sustentáveis

Avaliação:

(0 Avaliações)

Por Adriana Silvestrini - adriana.silvestrini@sm.com.br - 18/09/2015

Embora a maioria diga que pagaria mais por produtos verdes, poucos realmente convertem a compra. Entenda por quê.

Seis em cada dez brasileiros estão dispostos a pagar mais por um produto "verde". Mas o engajamento diminui quando se trata de investir dinheiro: apenas 22% convertem a intenção em compra efetivamente, segundo pesquisa com pessoas de 21 a 64 anos feita pela FSC Brasil (Forest Stewardship Council) – organização que promove o manejo florestal responsável em mais de 70 países. Segundo Fabíola Zerbini, diretora executiva da entidade, o motivo disso é o preço. Mas ela acredita que há como fazer o consumidor atribuir a esses produtos valor ambiental e social, e que os supermercados podem ajudar nessa tarefa. Saiba mais nesta entrevista a SM.

A pesquisa apontou que 61% pagaria mais por itens sustentáveis, mas apenas 22% convertem de fato sua intenção em compra. Por quê?

O preço é um fator determinante, acompanhado de informação e acesso. O que falta ao brasileiro é relacionar valor monetário ao valor ambiental e social. Quando a pessoa compra um carro associa ao conforto, segurança e design. Mas, ao adquirir uma mesa, não pensa no direito dos trabalhadores, na origem da madeira, etc. Precisamos informar as pessoas de onde os produtos vêm e se eles são sustentáveis.

Mas boa parte da população não tem informação ou dinheiro para comprar o produto sustentável.

Sim. Para essas pessoas terem acesso a produtos verdes, é preciso uma combinação de políticas públicas. O governo deve oferecer subsídios para o produto chegar mais barato à casa do cidadão. Ou seja, é preciso haver corresponsabilidades.

Como o supermercadista pode colaborar para uma maior conscientização?

O varejista deve ter o papel de protagonista. Ele tem a oportunidade de tornar disponível o produto sustentável. Muitas pessoas conheceram os orgânicos a partir do momento que passaram a encontrá-los nas gôndolas dos supermercados. Não há espaço mais privilegiado para informar ao público as qualidades sociais e ambientais daquilo que está sendo vendido nas lojas

Você acha que os supermercados têm avançado nessa tarefa?

De uns cinco anos pra cá houve um avanço notável no varejo. O setor tem enxergado valor comercial nesse nicho de mercado. Mas o consumo de produtos sustentáveis ainda está concentrado nas lojas que atendem as classes A e B, bem diferente do que acontece na Europa. Lá o consumo é mais generalizado, pois a desigualdade social não é tão gritante e a informação sobre os produtos é mais disseminada. Acredito que os supermercados brasileiros deveriam trabalhar mais as informações na loja. No Brasil, ainda existe muito desinformação sobre esse tema e vai demorar um bom tempo para atingir toda a população. Mas nós já estamos nesse caminho, que é sem volta.

Apesar do atraso em relação à Europa, o varejista deve ficar atento a esses consumidores mais conscientes?

Sem dúvida. Já existe um grupo formado de consumidores que se identifica e se orgulha do status "verde". Ele consome, ele pode pagar, ele faz propaganda dos produtos e influencia as outras pessoas. Ao atender bem esse público, o supermercado pode atrair mais clientes com poder de compra.

Comentários

Comentar com:
Publicidade

ENQUETE

Para Páscoa, qual é a sua expectativa de vendas?

GPS - Guia prático de sortimento

Aqui você pode navegar por todas as seções e categorias de produtos. Utilize um dos filtros abaixo para visualizar as informações:

BUSCAR
Publicidade