Economize com vale transporte

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Por Adriana Silvestrini - adriana.silvestrini@sm.com.br - 04/04/2017

Estima-se que 30% do benefício seja destinado ao mercado paralelo. Mas esse valor poderia ser utilizado pela empresa. Especialistas do ramo explicam como

Imagine uma grande cidade como São Paulo e pense em um funcionário que utilize apenas ônibus para se deslocar para o trabalho. Por mês, ele gastaria em torno de R$ 175. Se essa pessoa receber um salário de R$ 900, ela arcaria, por mês, com R$ 54 (ou 6% do valor da remuneração). A empresa paga a diferença, ou seja, R$ 121 mensais. Em um ano, serão R$ 1.452. Se ela tiver 200 colaboradores que têm despesa com condução e salário equivalentes, o custo anual será de R$ 290,4 mil. Até aí tudo certo, uma vez que se trata de cumprir a legislação. Mas existem oportunidades de economia para as empresas. Para se ter uma ideia, 35% dos vales-transportes vão para no mercado paralelo, segundo Anderson Belém Costa, CEO da Otimiza Benefícios. Soma-se isso o fato de que há pessoas que utilizam o benefício fora do horário de trabalho ou em trajeto não informado à empresa. 

Para otimizar a despesa, é preciso mergulhar na gestão do vale-transporte. “As empresas que atendemos conseguem economizar em torno de 35% do valor gasto com o benefício”, afirma Giuliano Cavazzani, gerente de Estratégia e Marketing de Produto da Ticket Transporte, que fornece cartões eletrônicos. Já a Otimiza, que também oferece consultoria no assunto, dá um exemplo prático. “Um de nossos clientes atingiu economia de R$ 1,5 milhão em apenas uma das cidades onde opera e tem 1.500 funcionários, após cerca de um ano de gestão”, diz o executivo.

Ficar atento aos detalhes da lei é um dos cuidados que os supermercados podem tomar. Segundo Renato Zacharias, sócio e diretor da RB Serviços, especialista em soluções para gestão de benefícios, muitas companhias desconhecem, por exemplo, que, se sobrou crédito do mês anterior, a empresa pode apenas completar a diferença. Essa possibilidade é aceita por sindicatos de comerciários – ao quais os funcionários de supermercados estão ligados –, como o da cidade de São Paulo. “O nosso departamento jurídico reconhece que a empresa pode subtrair o crédito caso o funcionário não tenha utilizado o benefício todos os dias no mês anterior”, diz Josimar Andrade, diretor de relações sindicais da entidade. 

A empresa também pode rever os trajetos utilizados pelos funcionários. A ferramenta utilizada para isso chama-se roteirização. A partir dela, é possível promover ajustes para gastar menos com o benefício. “Mas ela deve ser utilizada com cautela para não ferir a legislação, os interesses da empresa e o bem estar do funcionário”, ressalta Costa da Otimiza. O funcionário é quem deve decidir pela sua rota. De acordo com Costa, a empresa pode fazer o estudo da rota apresentada e propor alguma alteração, desde que o colaborador concorde com a mudança. “Não pode ser uma imposição do empregador”, completa. 

O executivo ainda informa que, pela sua experiência no ramo, a maneira mais eficaz de estudar a geolocalização dos funcionários não é com a roteirização e, sim, com a geração de relatórios de auditoria de não conformidade. “Isso significa que realizamos diariamente o cruzamento dos registros de uso dos cartões de vale transporte com o cadastro específico do colaborador. Por meio desta auditoria podemos identificar quais rotas, apesar de viáveis, não estão sendo utilizadas. Com o cruzamento dos dados, discutimos com o funcionário sempre baseados em registros e não suposições sobre a existência de uma rota de menor custo”, explica Costa. 

Outro ponto é o comércio paralelo de vale-transporte. Segundo Anderson Belém Costa, da Otimiza Benefícios, o funcionário se sente dono do benefício, portanto à vontade para realizar a venda informal. Esse comportamento traz prejuízo tanto para a empresa quanto para o colaborador. No primeiro caso, muitos empregadores ainda interpretam equivocadamente o benefício. Antes de tudo, a empresa precisa entender que nem todos os funcionários necessitam do vale transporte. É comum ver colaborador que pede o benefício e estaciona o carro na garagem da empresa. Também há empregadores que acreditam que se o funcionário economizar no uso do transporte público, ele passa a ter direito sobre o valor contido no cartão. “Sempre peço para as empresas e os funcionários imaginarem o vale transporte como um cartão de crédito. Se o funcionário não utiliza então não vem a cobrança na fatura. Não é porque o valor é antecipado que pode-se desvirtuar a natureza indenizatória não salarial do benefício”, explica Costa. Portanto, esse dinheiro perdido em função da má gestão do benefício, o supermercado poderia utilizar para realizar algum investimento ou mesmo compor o seu resultado final.

Além de tudo isso e tão importante quanto, o combate ao problema passa por conscientizar o empregado de que vender (ou ceder o vale-transporte a terceiros) é contra a lei e há risco de gerar demissão por justa causa. “O funcionário também pode ser arrolado em um processo criminal”, explica Costa. “Com a gestão do uso do benefício, o RH consegue efetuar uma compra precisa, sem desperdícios extras”, reforça Zacharias, da RB Serviços. Já costa, da Otimiza, finaliza: “É como abastecer o carro, sempre considerando o total de combustível existente para não transbordar o tanque.”

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