Atacarejo cresceu 14% real com boom de expansão

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Por Alessandra Morita - alessandra.morita@sm.com.br - 04/04/2017

O cash & carry ganhou 143 lojas a mais em 2016 sobre o ano anterior. Com isso, se distanciou dos hipermercados. Entenda o que aconteceu e veja ainda como foi o desempenho dos demais formatos

O ano passado consolidou o atacarejo como segundo formato do varejo alimentar, graças principalmente às inaugurações. Já os super e hipermercados continuam promovendo ajustes para se adequar a mudanças do mercado e aos desafios do cenário econômico. É o que aponta o 46º Ranking de SM , levantamento realizado com mais de 300 empresas de todo o País. Confira a seguir o que aconteceu com cada formato.

Atacarejo

Os números do atacarejo voltaram a impressionar. O formato cresceu 14,1% real em 2016 e aumentou em dois pontos percentuais sua participação de mercado. Em valores, isso significou uma diferença de mais de R$ 10 bilhões em relação ao faturamento do hipermercado. No ano passado, a distância era de pouco mais de R$ 320 milhões. Com a crise, a migração para o formato foi mais intensa. “Há casos de lojas de cash & carry que já têm no consumidor final 70% das suas vendas”, afirma Bruno Ribeiro de Oliveira, sócio da Falconi Consultores de Resultados. Isso promoveu mudanças no sortimento. Segundo Oliveira, muitas redes já trabalham com, pelo menos, uma versão de maior valor em diversas categorias.

Chegada de Novos player

Também contribuiu para o crescimento do formato o maior número de lojas. A boa aceitação pelo consumidor atraiu, inclusive, o interesse de redes que nunca trabalharam com o modelo. “Mas esse não é um formato fácil de operar. Exige muita eficiência”, alerta Luis Fernando Costa, consultor da Falconi. “A margem bruta comercial no atacarejo é de cerca de 17%. Se o custo operacional for alto, por exemplo, de 16%, estamos falando de um Ebitda de apenas 1%”, diz o especialista. Para aumentar os ganhos, é preciso buscar custos baixos e operar com estrutura e sortimento enxutos. Já o supermercado conta com um pouco mais de fôlego na margem, que fica em torno de 25%. “Temos o caso de um cliente que, acostumado a esse formato, colocou no seu cash & carry uma margem de 20% com despesas de 15%. Embora o Ebitda fosse de 5%, ele não conseguiu gerar vendas devido à margem alta, pois os consumidores buscam preço no atacarejo.”

Mais e mais inaugurações

Com quatro novas lojas, a rede Mart Minas é um dos exemplos de quem investe na expansão do cash & carry. Ela alcançou 21 lojas e vendas de R$ 1,8 bilhão em 2016. Segundo Filipe Martins, diretor comercial, as inaugurações já estavam definidas no planejamento da companhia. “Para este ano, estamos prevendo mais cinco unidades”, diz. O executivo lembra que o formato vem atraindo novos consumidores há vários anos e que, portanto, o crescimento não é apenas fruto da atual conjuntura econômica. “Acreditamos muito nesse modelo de negócio”, ressalta. “Temos lojas confortáveis e mix adequado às necessidades do cliente. Um exemplo são as embalagens institucionais, mais econômicas, que têm boa aceitação tanto do consumidor final quanto do pequeno comerciante que compra nas nossas lojas”, conclui o diretor.

20,1% participação nas vendas do setor
143 lojas a mais no ano passado
25% Alta real nas vendas do Mart Minas, com 4 novas lojas

Supermercado

Os supermercados tiveram alta real de 1,1% no ano passado. Embora pequeno, o crescimento não chega a ser ruim, considerando as dificuldades impostas pelo cenário econômico. Para Robson Poleto, analista de varejo da Lafis, o aumento, ainda que modesto, começa a refletir ajustes no parque de lojas. “Muitas empresas estão avaliando suas unidades com base no mercado em que atuam e no desempenho financeiro. Assim, fecham filiais ineficientes e mantêm ou expandem aquelas que trazem melhor resultado”, explica. José Barral, ex-executivo do varejo alimentar e hoje conselheiro de empresas, lembra ainda que outras iniciativas foram implementadas ao longo de 2016. Essas ações tiveram pouco impacto sobre as vendas do ano passado, mas devem contribuir para crescimentos mais expressivos conforme amadureçam. “O supermercado também é um formato bastante versátil. Existem lojas gourmet, outras focadas em preço, lojas pequenas e grandes. Da mesma maneira que sobreviveu aos hipermercados, quando chegaram ao País, o formato resistirá aos atacarejos”, avalia.

Crescimento acima da média

Ajustes na área comercial e no sortimento ajudaram o Barcelos a elevar o faturamento, atingindo R$ 604,6 milhões em 2016. A rede criou uma área de inteligência comercial, o que possibilitou tornar as compras mais assertivas. “Também conseguimos reduzir estoques e aumentar a margem de lucro”, afirma Licinio Barcelos Netto, diretor da rede, que atua no Estado do Rio de Janeiro e somou no ano passado 11 lojas. O número de SKUs do sortimento também foi reduzido entre 15% e 20%. Com isso, a empresa conseguiu dedicar maior espaço a produtos com maior venda. O Barcelos também ampliou o crossmerchandising nas lojas, para incentivar o consumo. “Fizemos ainda pontos extras colocando, por exemplo, enlatados com abridor. No carnaval, juntamos vodca, energético e copos”, conta Lucas Barcelos, sócio da rede. “Tudo ajudou.”

62,5% participação do formato nas vendas do setor
5,4 alta real nas vendas do Barcelos

Hipermercado

Embora tenham tido queda real de 0,8% no ano passado, as vendas do segmento reagiram em comparação com 2015, quando recuaram quase 5,7% já descontada a inflação. Para Luis Fernando Costa, da Falconi, isso é um pequeno reflexo das reformulações que os gigantes do setor estão promovendo no formato. Outro ponto é que as redes regionais têm um modelo diferente de hipermercado, que procura atender todas as necessidades da família, aponta o conselheiro de empresas José Barral. “É comum também elas escolherem uma determinada seção para se especializar”, explica. É o caso da gaúcha Zaffari. “A rede tem um setor de bazar muito amplo, com louças bastante sofisticadas e diferenciadas”, diz ele. Em 2016, a varejista apresentou um crescimento real de 1,1% e alcançou faturamento de R$ 4,9 bilhões.

Hiper ainda tem espaço

Os hipermercados também caíram menos em vendas em função do aumento de lojas. O modelo fechou 2016 com 21 unidades a mais em relação a 2015. “Ainda existem locais que são carentes de lojas com sortimento mais amplo”, afirma Costa, da Falconi. “Outro ponto é que algumas redes líderes em suas regiões estão optando por não entrar no formato de cash & carry e tentar melhorar a operação de seus hipermercados”, acrescenta

17,4% participação nas vendas do setor
21 lojas a mais do formato em 2016

 

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