Central de negócios se transformará em empresa para crescer

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Por Adriana Silvestrini - adriana.silvestrini@sm.com.br - 09/11/2016

Um centro de distribuição é a ponta de lança para uma nova virada da rede catarinense Top. Ela vai migrar de uma central de compras para uma companhia com estrutura de capital e governança

Em 1997, o único propósito era unir os pequenos varejistas para realizar compras em conjunto. Afinal, com maior volume, eles teriam maior poder de negociação e conseguiriam melhores preços. Dezenove anos depois, o objetivo se tornou mais ousado e desafiador: tornar a central de compras uma empresa única (de sete donos), com projetos de expansão e excelência no gerenciamento.

Pela vontade e pelo empenho desses sócios, tal sonho está cada vez mais próximo de se realizar. A Rede Top, com 30 lojas em 17 municípios catarinenses, já mostrou que tem ímpeto para atingir seus objetivos. O faturamento no ano passado chegou a R$ 635 milhões e, neste ano, o crescimento nominal deve alcançar quase 19%. Para trilhar o novo caminho, o grupo inaugurou em setembro um centro de distribuição na cidade de Indaial, que estará a todo vapor até o fim do ano. Por enquanto, a distribuição das mercadorias ficará dividida entre o CD e os depósitos das lojas, para compatibilização final dos sistemas de informática. “Contar com um centro de 10 mil m2 permitirá volumes ainda maiores de compras, otimização da logística e redução de custos”, afirma Paulo César Lopes, diretor de marketing da rede e um dos sócios. A rede contava com um depósito central, mas a área somava apenas 1.800 m2.

Preparados para o futuro, os empresários se organizam para abrir em conjunto novas lojas e migrar as unidades existentes para a marca Rede Top. “Não será algo simples, mas há bastante envolvimento para fazer a transição e criar uma empresa sólida”, comenta Lopes.

“Contamos com uma consultoria especializada em gestão de processos, e outra em projetos de expansão. E contratamos uma banca de advogados para apoio na estruturação da empresa”
Paulo César lopes

Os sócios contrataram uma consultoria para analisar os tipos de lojas que devem abrir, em quais cidades, com que área de vendas, sortimento, etc. “Já estamos avaliando vários pontos na região do Vale do Itajaí e litoral norte de Santa Catarina”, revela o executivo. Os empresários também contam com outra consultoria, para assimilar processos mais eficientes de gestão. “Estamos bem assessorados, e não pode ser de outra forma. Precisamos contar com um embasamento apurado, para transformar a central de compras em uma rede de alto padrão”, conta Lopes. Os sócios também contrataram uma banca de advogados, cujos profissionais vêm explicando o passo a passo do processo a cada família. Isso a fim de evitar que eventuais conflitos possam comprometer o futuro da nova organização. “Com regras claras e consensadas os riscos diminuem. O que queremos é uma companhia com estruturação de capital e governança”, confirma Lopes. A inspiração para esse modelo foi encontrada na Espanha. Lá uma antiga central de compras se tornou empresa. Hoje, ela conta com 300 lojas, que detêm 50% do mercado de Madrid.

Imitar sim, por que não? Os sócios catarinenses estão se inspirando em uma central espanhola, que se transformou em empresa e hoje detém 50% do mercado de Madrid

A Top não tem a intenção de abrir suas porta s para outros empresários. O associativismo, segundo Lopes, não é algo simples e por isso convém preservar o tamanho atual. “Quando você atua em grupo, tem de compartilhar tudo e deixar os egos e as vaidades de lado. E isso não é fácil”, reflete o executivo. Em quase 20 anos, ele é o único do time original. Foi seu inconformismo com a falta de escala que impulsionou a central. E agora é o inconformismo dos sete empresários que empurra a rede para uma empresa maior, com mais horizonte e o sonho da perenidade.

O começo de tudo

O encontro foi casual: em uma feira da Acats (Associação Catarinense de Supermercados). O desconforto era grande: pequenos supermercadistas reclamavam de não conseguir bons preços com a indústria, por não ter escala de negociação. A solução surgiu num estalo: união dos insatisfeitos para compra conjunta, ali, de produtos de um fornecedor da feira. Ele só oferecia desconto para grandes pedidos. Esses empresários do Vale de Itajaí (e outros, depois convidados) passaram a se encontrar uma vez por mês para compras conjuntas, sobretudo de commodities. “Já nesse momento, sentimos a necessidade de nos estruturar”, conta Paulo César Lopes, o pai da ideia e hoje o único sócio-fundador. “Contratamos um comprador, passamos a ter reuniões semanais e, em 2000, criamos a Assuvali (Associação dos Supermercados do Vale do Itajaí)”, acrescenta. Com o tempo, os empresários sentiram necessidade de criar uma marca para baratear custos de publicidade, confecção de tabloides, sacolas, bobinas para PDV, embalagens para padaria. Foi realizado um concurso entre os colaboradores de todos os associados e, em 2002, escolhido o nome que seria usado como bandeira do grupo: Rede Top. Depois de enfrentar conflitos de interesse e saída de sócios, a central deu mais um passo. Inspirado numa companhia espanhola, desenhou o novo modelo de negócio. “Visitei em Madrid uma rede que tinha sido uma central de compras e vivido problemas semelhantes aos nossos”, lembra Lopes. “Em dado momento, ela se transformou em empresa e não parou de prosperar. Seguimos o modelo e agora vamos atrás dos resultados.”

635 milhões de reais faturamento em 2015

754 milhões de reais previsão faturamento em 2016

18,7% alta estimada nas vendas nominais neste ano

2.248 colaboradores

7 associados

292 checkouts

3.000 m2 área de vendas

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