Exclusivo: Supermercados do ES projetam queda nas vendas com greve da PM

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Por Adriana Silvestrini - adriana.silvestrini@sm.com.br - 13/02/2017

A rede Extrabom prevê perdas de 12%. Saiba como a rede está gerenciando uma das maiores crises vividas no Estado

Filas gigantes, gôndolas com espaços vazios, seguranças por todo lado, equipe defasadas. Essa era a realidade dos supermercados capixabadas na semana passada, quando a Polícia Militar do Estado do Espírito Santo entrou em greve. A situação saiu de controle rapidamente, gerando uma onda de violência e insegurança. Conclusão: com medo de ficar sem alimentos, as pessoas só saíam de casa para abastecer a dispensa no supermercado. Já os varejistas tiveram que - no susto – gerenciar uma das maiores crises pela qual já passaram. “O que vimos no Espírito Santo nunca aconteceu. Aliás, nunca vimos isso no Brasil. Pegou todo mundo de surpresa porque, pela lei, os policiais não poderiam fazer greve”, afirma Hélio Hoffmann Schneider, superintendente da Acaps (Associação Capixaba de Supermercados). 

Hélio Hoffmann Schneider, superintendente da Acaps

Nesta segunda-feira (13/2), dez dias após o início da paralisação, a greve continua. O Governo e a categoria não chegaram a um acordo, mas alguns policiais fardados já fazem o patrulhamento nas principais regiões. Linhas de ônibus voltam a circular, as praias e bares passam a ficar ocupados e a Federação do Comércio sugeriu que os comerciantes reabram os negócios.  Porém, mesmo com a vida voltando aos poucos ao normal, os supermercados vão perder vendas. 

“Estamos contabilizando perdas de 12% nas vendas porque, nesse período de greve, fechamos as lojas em torno das 15h. Em três lojas fechamos e reabrimos de duas a três vezes ao dia. Tivemos custos adicionais com vans, táxi, Uber para buscar e levar os colaboradores em casa, sem falar que contratamos seguranças extras para as lojas mais críticas”, revela Luiz Coelho Coutinho, diretor-presidente da Rede Extrabom Supermercados, que possui 26 lojas no Estado do Espírito Santo. 

Luiz Coelho Coutinho, diretor-presidente da Rede Extrabom 

“Nunca passamos por uma situação tão intensa. Já enfrentamos diversas paralisações no transporte público e sempre conseguimos manter o funcionamento normal, porém, a atual situação tornou as coisas mais difíceis. Todos os supermercados do Espírito Santo tiveram muita dificuldade de manter o atendimento à população”, complementa Coutinho. 

Gerenciamento de crise 

Diante de uma crise inesperada, os manuais ensinam que a solução é gerenciá-la da melhor maneira possível. É exatamente isso que a Acaps e a Rede Extrabom vêm fazendo desde a semana passada. A recomendação da associação capixaba é que todos os supermercados, dentro das possibilidades e parâmetros de segurança, abram as portas e atendam a população. Isso porque se trata de setor que atende necessidades básicas da população – no caso a venda de alimentos. “Temos que fazer sacrifícios numa hora dessas, mesmo sabendo dos riscos do patrimônio”, diz Schneider, superintendente da associação. 

Luiz Coutinho afirma que foram criados planos de contingência na rede para manter a segurança das lojas, contando com as equipes operacionais e patrimoniais especialmente à noite, quando as lojas estão fechadas. O empresário ressalta que cada dia é um dia. A equipe da varejista se reúne diariamente para planejamento das atividades. Outra equipe multidisciplinar tem acompanhado a cada minuto as notícias da mídia sobe o andamento do movimento e a operação das lojas, a fim de programar o funcionamento. “Estamos conseguindo abrir todas as nossas lojas no horário normal, com as portas abertas para os clientes. O movimento de consumidores gera filas, mas, temos conseguido atender todos, sem necessidade de senhas”, completa. 

Falta de funcionários e de produto  

Quanto ao horário de fechamento das lojas, o Extrabom optou por encerrar as atividades às 16 horas, já que não conta com o efetivo completo. A rede tem trabalhado com 70% da equipe, em média. “Estamos buscando e levando nossos colaboradores nas suas residências, além de termos direcionados colaboradores da administração para dar apoio às lojas”, revela Coutinho.

Quando o assunto é falta de produto em gôndola, Schneider recomenda que o gerente da loja explique ao consumidor que, embora não esteja vendo o produto, não significa que a loja não tenha aquele item. “É preciso tranquilizar o consumidor informando que geralmente o produto pode estar no estoque em função de a equipe estar desfalcada, o que dificulta a reposição. As lojas têm trabalhado com no máximo 25% do efetivo”, afirma Schneider. 

Coutinho concorda e diz que o CD está funcionando mesmo com as dificuldades do momento. “Temos conseguido abastecer as lojas. Mas imaginamos que, se a situação se mantiver por mais tempo, teremos dificuldades em suprir o nosso CD, visto que os fornecedores estão enfrentando problemas para manter as entregas. E isso pode gerar ruptura de produtos em nossas lojas”, alerta o diretor-presidente da rede capixaba. 

Filas e consumidores 

Como era de se esperar, os consumidores estão indo mais as lojas, alguns comprando em maior quantidade devido ao momento de incertezas. Segundo Coutinho, em alguns momentos há muitas filas devido ao grande movimento nas lojas, mas, os clientes estão conseguindo manter a calma, apesar de expressarem uma preocupação com a possibilidade de falta de produtos.

“Acreditamos que as ações do governo do Estado em conjunto com o apoio do governo federal serão suficientes para a normalização da situação, a fim de devolver ao cidadão a liberdade de ir e vir. Nós, supermercadistas, contribuímos mantendo nossas lojas em funcionamento para garantir aos nossos clientes o atendimento de suas necessidades”, conclui Coutinho, que, mesmo diante da situação difícil, não se deixa abater.

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