GPA é virado pelo avesso

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Por Alessandra Morita - alessandra.morita@sm.com.br - 04/01/2017

A companhia fechou 25 unidades de proximidade e deve converter até 20 hiper em atacarejo. O movimento de ajuste do parque lojas tem sido seguido por outros gigantes

Conversão de 21 lojas Mini Extra em Minuto Pão de Açúcar contribuiu para o Ebtida positivo no segmento de proximidade

O GPA, segunda maior rede do varejo alimentar do País, mexe mais uma vez nas suas bandeiras, depois de uma avaliação do desempenho do parque de lojas. O grupo fechou 25 filiais de proximidade do Minimercado Extra entre os meses de setembro de 2015 e de 2016. Também converteu unidades de diferentes formatos e ajustou o tamanho de várias lojas. Para especialistas, isso significa busca de maior lucratividade. “A rede quer operar com maior eficiência a partir das lojas já existentes”, afirma Alexandre Ayres, diretor da Neocom Informação Aplicada, especializada em geomarketing. Além do GPA, outros gigantes também passam por esse momento de reavaliação. O Walmart, por exemplo, fechou 60 lojas no início de 2016, como parte do processo. Segundo Ayres, nesse movimento de reorganização, os gigantes têm fechado mais lojas do que aberto. É o caso do próprio Walmart, que não realizou inaugurações em 2016. “De um lado, a crise acelerou o processo de fechamento. Mas, de outro, muitas unidades já não apresentavam boa performance”, diz o especialista. Ele explica que, nos últimos dez anos, em função do grande crescimento da economia, havia uma visão de que o importante era inaugurar, mesmo se a produtividade fosse baixa. “O que acontece é que as redes estavam antecipadas quanto ao retorno do investimento. As lojas eram abertas em locais de alto potencial, mas ainda em desenvolvimento. O que é natural, pois os imóveis são mais baratos nessas condições”, explica Ayres.

O consultor afirma que a expectativa de retorno era de cerca de dois anos, mas, com a retração da economia, o prazo aumentou para até oito anos em alguns casos. “É inviável manter uma loja deficitária por tanto tempo”, avalia. Com a previsão de retorno ampliada, também ficou mais difícil ter várias lojas de uma bandeira ou empresa numa mesma região. “Antes, dava para bancar essa canibalização. Agora, é mais interessante fechar a maioria e manter uma. Ou ainda fechar todas e abrir uma nova num local próximo, mas que irá atrair mais clientes do que todas as outras juntas.”

Encontrar um equilíbrio no parque de lojas ajuda a ter um negócio saudável. O segmento de proximidade do GPA hoje possui Ebitda positivo, o que não acontecia em 2015. A conversão de 21 lojas Minimercado Extra para Minuto Pão de Açúcar nos últimos dois anos contribuiu para o resultado, além do fechamento das unidades deficitárias, entre outros fatores. A bandeira Minuto conta com produtos mais caros e público AB. “Enxugar não é a primeira opção, mas, em algum momento, é necessário”, diz Marcelo Bazzali, diretor executivo do GPA. “Uma loja deficitária tende a ter quebra maior, a carregar despesas mais altas e a penalizar a margem bruta, pois exige esforço maior para vender”, analisa o executivo.

Antes de abrir mão de uma filial, são realizadas simulações para avaliar, por exemplo, quanto ela deixou de vender ou se é possível uma recuperação. A análise também considera o reflexo do fechamento da loja no custo logístico. No caso do segmento de proximidade, esse custo foi amortizado pela adesão de 100 lojas ao projeto Aliados CompreBem, no qual a companhia se transformou em fornecedora de mercadorias e de know-how para pequenos e médios supermercados.

Conversão de Extra em Assaí: mais lojas passarão pelo processo. Rede está em fase de mapeamento das melhores opções

Bazzali explica que o estudo de movimentação de lojas é feito em conjunto pelo time de proximidade, de expansão (responsável pelas informações de geomarketing) e do financeiro, uma vez que pode impactar no retorno ao acionista. No caso de mudança de bandeira, sempre é avaliado se o perfil de renda do cliente de uma rede é compatível com o de outra. Foi isso que sustentou a conversão de Mini Extra em Minuto Pão, e do hiper Extra no cash & carry Assaí. No ano passado, no segmento de atacarejo foram realizadas duas transformações – uma no Rio de Janeiro e outra em São Vicente (SP). Para este ano, estão programadas de 15 a 20 unidades. “As lojas ainda estão em processo de mapeamento”, afirma Belmiro Gomes, presidente da rede, que fechou 2016 com 107 filiais. Segundo ele, a avaliação considera se há um bom número de médios comerciantes e transformadores no local, além de consumidores finais interessados em economizar. Afinal, lucro não se faz sem esforço de mudanças. E é isso que o GPA está sempre perseguindo.

 

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