Operação estardalhaço

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Por Sheila Hissa - sheila.hissa@sm.com.br - 20/03/2017

Polícia Federal divulga irregularidades em vários frigoríficos, inclusive nas gigantes BRF e JBS, assusta consumidores e países importadores, mas supermercadistas estão tranquilos. Entenda por quê

Desde que a Operação Carne Fraca foi divulgada na sexta-feira passada (17/03), apontando problemas na qualidade de carnes e embutidos, além de corrupção entre fiscais e funcionários de 21 frigoríficos ( veja matéria sobre o que dizem esses fornecedores ), uma sucessão de notícias têm revelado que bom-senso e responsabilidade caem melhor do que espetáculos. Tudo indica que algumas irregularidades foram pontuais e que certos laudos deram como nocivo à saúde práticas que são aprovadas mundialmente. Ninguém contesta a existência dos problemas e ninguém duvida que eles devem ser divulgados e combatidos, incluindo a corrupção que envolve funcionários públicos e privados e se espalha pelo País como uma praga. Entretanto, o estardalhaço não ajuda. Prejudica. 

No mercado interno, salvo novidades mais consistentes da Polícia Federal, o clima de pânico deve se diluir. Supermercadistas e associações que reúnem as empresas do varejo alimentar não apuraram completamente o desempenho das vendas nesse fim de semana, mas a percepção dos dez empresários e executivos ouvidos por SM, além da Abras, é de que as vendas não foram substancialmente afetadas. Apenas algumas redes sentiram queda, mas agiram rapidamente para minimizar as perdas.

A maioria dos varejistas aprova os trabalhos de apuração da PF, mas considera que “a operação foi midiática”. Uma coisa é certa: o trabalho do próprio supermercadista e a força de suas marcas ajudaram (e ajudarão) a evitar a presença de carnes e embutidos com problemas, garantirão o consumo e, portanto, as vendas. 

Veja depoimentos de varejistas sobre a operação: 

Vendas continuam
“Não percebemos nenhuma queda nas vendas. Até dia 19 (ontem), a categoria como um todo vendeu dentro do orçamento – 8% acumulado do mês. Temos lojas em Campo Grande, Cuiabá, Distrito Federal e nenhuma delas apontou problemas. O nosso programa Carne Fresca, para produto bovino, nos dá tranquilidade. Recebemos de frigoríficos cortes in natura, sem nenhum aditivo, protegidos apenas com um filme plástico para evitar queima de temperatura”
Leonardo Miyao, diretor comercial da rede Comper, Centro-Oeste

Preço deve cair
“A carne bovina representa 55% das vendas. Os outros 45% são divididos entre os demais tipos de carnes. Devido à operação, acredito que nesta semana haverá uma inversão, com 55% de vendas de outros tipos de carne. A partir da próxima semana, dependendo de como ficar a situação das exportações, é possível que o preço da carne no mercado interno caia, o que poderá levar à recuperação das vendas da carne de boi”
Antonio Cesa Longo, presidente da Agas, Associação Gaúcha de Supermercados

Falta informação
“No Condor, as vendas de carne no fim de semana bateram a meta estabelecida. Tivemos apenas um caso de carne devolvida nas 43 lojas da rede. Estamos explicando ao consumidor nossos cuidados no recebimento de carne, como medir a temperatura dos produtos para garantir qualidade. Acredito que órgãos como a ANVISA e o Ministério da Agricultura precisam vir a público e esclarecer pontos técnicos, como o que é a salmonella, em que condições a carne é infectada, etc. Também é preciso ter em mente que a cadeia da carne é curta. O boi é abatido, a carne é processada e o produto entregue quase automaticamente nas lojas” 
Pedro Joanir Zonta, presidente da rede Condor, PR

Confiança nos fornecedores
“Foi um sensacionalismo muito grande. A cadeia de carne é muito qualificada. Esse é um segmento que está salvando a economia do País. Não poderia ter sido manchado assim. São empresas sérias. Por isso, nem pensamos em ligar para questioná-los. Eles que entraram em contato conosco. A BRF veio aqui hoje para explicar a situação. Mas dissemos que o melhor era que eles focarem o consumidor final. Percebemos uma migração da carne de boi e frango para a carne de porco. Mas essa situação deve se acalmar”
Carlos Beal, diretor-presidente, rede Beal, PR

 Sem atritos 
“A questão da falta de qualidade é muito localizada, envolve alguns lotes. Não sofremos nenhum efeito dessa denúncia e não tivemos nenhum atrito com consumidores. Estamos falando com fornecedores para ter certeza que esses lotes não vieram para o Rio (tudo indica que não vieram mesmo) e continuamos com nossas práticas de sempre: controle no recebimento, controle no manuseio e na validade”
RonaldoTeixeira, gerente geral da rede Princesa, RJ

Muito barulho à toa
“Estamos seguros dos processos dos nossos fornecedores JBS e BRF. Acreditamos que tudo vai ser esclarecido. Alguns aspectos estão sendo colocados sem cuidado, sem fatos concretos que justifiquem tamanho barulho. Visito as plantas dos fornecedores com frequência e eles são impecáveis. Estou seguro de que nossos clientes estão recebendo produtos de qualidade. Se carnes e embutidos estragados estivessem disseminados pelo País, todos nós já saberíamos. Já teria se tornado público”
Diretor comercial que preferiu não se identificar. O porta-voz é o dono e estava ausente da empresa, sediada no Nordeste

Exposição de toda a cadeia
“Pedimos esclarecimentos à JBS e à BRF e nos asseguramos de que as suspeitas de irregularidades são pontuais e de que não compramos nada da planta mencionada pela Polícia Federal. O trabalho da PF é necessário, mas a abordagem adotada foi infeliz. Deixou a população apreensiva e expôs toda a cadeia produtiva, inclusive o varejo. O aprendizado é redobrar ainda mais nossa atenção com recebimento e condições comerciais (data de validade, apresentação do produto, temperatura)”
Luiz Coutinho, diretor-presidente, Extrabom, ES

 Apoio da JBS e BRF
“Trabalhamos com JBS e BRF, que nos tranquilizaram e deram apoio. O volume de vendas caiu 8% no último fim de semana, mas agimos rapidamente. Os funcionários de cada loja foram orientados a dar informações ao consumidor, explicando que nossas carnes não causariam problemas. Falamos da procedência e de que os produtos são inspecionados pela nossa equipe e não apenas por órgãos públicos. Acredito que houve exagero. O que se viu foi uma destruição da imagem dessas empresas e do setor. Estamos destruindo nós mesmos” 
José Evaldo Koch, presidente rede Koch, SC

Marcas regionais
Nos nossos açougues de balcão, o volume de vendas avançou entre 10% e 12% nos últimos dias. Isso porque cerca de 80% dos produtos são de frigoríficos regionais. Sentimos queda no volume de vendas da JBS e nos embutidos da BRF. Mas não acredito que a venda de carne estragada seja a meta dessas empresas. Acredito que a polícia precisa é focar nos fiscais e funcionários desses frigoríficos. Eles é que devem ser punidos”,  
Antonio Ortiz Romacho, diretor-presidente, grupo Asun, RS

O consumo voltará ao normal
“Ainda não temos dados consolidados de vendas dos associados. Mas acredito que as lojas que compram carne embalada tenham sofrido algum problema. Acho que não haverá queda de vendas nos próximos dias, pois estará mais claro o que aconteceu e a situação se acalmará” 
Nelson Alexandrino, presidente Agos, Associação Goiana de Supermercados

Identificação de lotes
Em nota oficial, a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) afirma que orienta seus associados a priorizar qualidade e segurança na venda de alimentos, além de indicar a compra de produtos com selo SIF (Serviço de Inspeção Federal). A entidade também informou que as lojas não mantêm produtos perecíveis em estoque por mais de 10 dias (prazo médio entre produção e comercialização). E ressaltou que aguarda e identificação dos lotes irregulares para tomar as medidas necessárias. 

Veja mais sobre: supermercados, carne fraca, JBS, BRF

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