Brasil Logística

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Por Patrícia Bull - 21/03/2013

A alta no consumo, estimada em R$ 1,3 Tri até 2020, traz uma grande dúvida: o país contará com infra para abastecer o interior


A alta no consumo, estimada em R$ 1,3 Tri até 2020, traz uma grande dúvida: o país contará com infra para abastecer o interior? O custo logístico cairá? O desafio é grande, mas já tem muita coisa sendo planejada


Com o avanço do consumo para R$ 3,5 trilhões até 2020, segundo dados da consultoria McKinsey, uma questão primordial se coloca para o mercado: como fazer os produtos chegarem até os milhões de brasileiros que estarão ampliando seu poder de compras. Como abastecer as prateleiras do interior do País, onde se registrará o maior crescimento. Como enfrentar os limitados e precários sistemas de estradas, portos e ferrovias. Fabricantes e varejistas estão muito preocupados (com razão), mas iniciativas começam a ser trilhadas para melhorar a malha de transporte e reduzir os custos logísticos. Confira nesta nova reportagem da série Prepara Brasil 2020.

O CUSTO LOGÍSTICO DA INDÚSTRIA
Percentual do custo logístico sobre a receita dos fabricantes

» 13% Média de mercado
» 11% Indústria de bens de consumo

Fonte: Fundação Dom Cabral – Pesquisa com 126 indústrias de todos os setores

Que o problema é grave, todo mundo sabe. A falta histórica de investimentos tem prejudicado o abastecimento e elevado os gastos. Pesquisa da Fundação Dom Cabral aponta que o custo logístico no Brasil responde em média por 13,1% da receita das empresas. Nos Estados Unidos, esse percentual é de 7,5%.

"Em geral, há meios de transporte para todas as regiões do País nos modelos rodoviário, ferroviário, hidroviário e aéreo. O problema é a quantidade e a qualidade", resume Edson Carillo, vice-presidente da Abralog (Associação Brasileira de Logística). Segundo ele, no Nordeste o gargalo é menor, porque tem atraído investimentos, mas no Norte e Centro-Oeste a carência é enorme. "Sem infraestrutura não há como desenvolver essas regiões", afirma Carillo, lembrando que Sul e Sudeste estão em melhor situação.

PESO DAS DESPESAS
Mesmo quando inferiores à media, os custos logísticos da indústria são altos e influenciam o preço dos produtos

MÉDIA DE MERCADO* INDÚSTRIA DE BENS DE CONSUMO
TRANSPORTE DE LONGA DISTÂNCIA
38% 34%
ARMAZENAGEM
18% 17%
DISTRIBUIÇÃO URBANA (transporte de curta distância)
17% 29%
PORTUÁRIOS/AEROPORTUÁRIOS
13% 10%
ADMINISTRATIVOS
9% 10%

* Outros: 4,5% Fonte: Fundação Dom Cabral – Pesquisa com 126 indústrias de todos os setores

O grande problema são as rodovias, já que respondem por 90% dos produtos que chegam ao varejo. Como são poucas e ruins, tornam o custo de distribuição muito alto. "Afinal, as despesas com envio de cargas a longa distância representam quase 34% das despesas logísticas de uma empresa", explica Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.

Segundo o Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain), o Brasil possui 1,8 milhão de km de rodovias federais, estaduais e municipais, mas apenas um terço é pavimentado. Já os Estados Unidos mantêm nada menos de 13,6 milhões de km asfaltados. Outro levantamento, feito pela CNT (Confederação Nacional do Transporte), revela que de um total de 95,7 mil km, 60 mil apresentam algum tipo de deficiência, o que representa expressivos 62,7% do total.

Dos 60 mil km, 46% têm problemas no pavimento e 66,2% na sinalização. O estudo da CNT encontrou 221 pontos críticos, com erosão na pista, queda de barreira, ponte caída ou buraco grande. Para a entidade, seriam necessários investimentos de R$ 170 bilhões para a modernização da infraestrutura rodoviária. Mas há quem seja menos otimista. O Ilos, por exemplo, estima valor perto de R$ 800 bilhões, necessários para ampliar a malha rodoviária e recuperar e pavimentar as estradas já existentes "Consideramos necessários esses investimentos, pois esse é o principal meio de transporte do País", diz Maria Hijjar, diretora do Ilos.

ELEVAÇÃO DE GASTOS
Para a indústria, As más condições das estradas são as principais responsáveis pelo aumento do custo logístico

» 55% Estradas em más condições
» 51% Documentos/ burocracia do governo
» 50% Restrição de carga e descarga nos grandes centros urbanos
» 48% Falta de concorrência entre tipos de transportes
» 45% Ausência de oferta de transporte de qualidade (transportadoras)

Fonte: Fundação Dom Cabral – Pesquisa de opinião com 126 indústrias de todos os setores

É verdade que o sistema ferroviário seria uma boa alternativa, já que carrega volumes maiores e tem fretes baratos, mas também deixa a desejar. A malha é de apenas 29 mil km (contra 227 mil nos EUA), o que limita o uso pelas indústrias. Esse meio hoje é voltado basicamente para transporte de grãos e itens de baixo valor. "Pelos nossos cálculos seriam necessários cerca de R$ 131 bilhões para recuperar a malha atual e construir novos trechos, mas o governo já sinalizou que os investimentos serão sobretudo para o transporte de passageiro", diz Hijjar. Ao priorizar as rodovias para transporte de itens de consumo interno no passado, o País tornou mais difíceis os investimentos em outras vias no presente.

TODA CADEIA
O custo logístico é formado por vários itens. O mais importante é o transporte dos produtos acabados

» 56% Transporte dos produtos acabados
» 40% Transporte de matérias-primas e insumos
» 39% Distribuição urbana de produtos
» 33% Custos portuários e aeroportuários
» 31% Armazenagem de produto acabado

Fonte: Fundação Dom Cabral – Pesquisa com 126 indústrias de todos os setores

Segundo Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral, a opção pelas rodovias se deu em função do custo de construção muito menor comparativamente ao das ferrovias, que foi pensado para uma economia basicamente exportadora. E esse mesmo motivo fez com que o meio cabotagem – que utiliza a costa brasileira – fosse tão pouco explorado até agora, apesar de seus 7 mil km de extensão. Resende lembra que as despesas com transporte de cabotagem são cinco vezes inferiores às de rodovias, e que o sistema é perfeitamente útil para o varejo, embora seja mais demorado. Ele não vê na lentidão, contudo, um obstáculo. "Basta haver uma boa programação de abastecimento por parte da indústria e varejo", comenta. O modelo é apropriado, inclusive, para contêineres refrigerados e de produtos prontos. E abasteceria as regiões ao longo da costa, incluindo os mais importantes mercados consumidores do Nordeste, que estão em desenvolvimento, com o crescimento da classe média. O governo, entretanto, até agora não divulgou investimentos nesse segmento e tem deixado claro que as prioridades serão rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, até pela importância que têm na economia como um todo. As commodities para exportação, por exemplo, também precisam de meios de transporte eficientes, já que têm um grande peso no PIB nacional.

SOLUÇÕES
As indústrias também procuram (e encontram) saídas

» 65% Terceiriza frota e serviços logísticos para operadores
» 40% Desloca estoques para perto do cliente
» 31% Pede mais tempo para consolidar cargas

Fonte: Fundação Dom Cabral – Pesquisa com 126 indústrias de todos os setores

O governo está iniciando trabalhos para estimular a participação da iniciativa privada nos investimentos por meio de concessões e Parcerias Público-Privadas. E deve começar um estudo sobre os principais pontos de origem e destino de cargas, que revelarão os gargalos e, portanto, as prioridades.

Já está previsto um pacote de concessões de rodovias e ferrovias no total de R$ 133 bilhões para os próximos 25 anos. Para o eixo rodoviário serão destinados R$ 42 bilhões, sendo R$ 23,5 bilhões até 2017. Ainda em rodovias, deverão integrar novos projetos vários trechos das BRs 251, 365, 364 e 163. O desafio é grande, mas os passos começam a ser dados. Só resta torcer para que sejam rápidos e seguros.

PREJUÍZOS
Se o Brasil fosse tão eficiente quanto EU A economizaria U$ 83 bi

» US$83 bilhões é a perda anual do Brasil
» 12% do PIB é o custo logístico no Brasil
» 8% do PIB é o custo nos EUA

Fonte: Boston Logistics Group

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