Um bom conselho nunca é demais

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Por Viviane Sousa - 23/07/2014

Reunir um time de especialistas para acompanhar resultados do negócio e indicar as melhores estratégias para crescer é uma prática em alta entre empresas familiares

Dona da rede Extrabom, com 24 lojas no Espírito Santo, a família Coutinho – cuja segunda geração está atualmente no comando da empresa – aprovou recentemente a criação do primeiro conselho da companhia. Ele será do tipo consultivo, ou seja, seus membros deverão acompanhar o desempenho da empresa e sugerir atitudes que gerem bons resultados (veja quadro abaixo). A ideia é eleger os conselheiros até 2015. O passo seguinte será a criação de um conselho administrativo, que se diferencia do primeiro por ter poder de decisão e responsabilidade legal sobre as ações da empresa. Assim como o Extrabom, muitas empresas familiares têm procurado se estruturar a fim de adotar boas práticas de governança corporativa. A exemplo da varejista, tais companhias também têm como principal objetivo uma gestão bem mais profissionalizada e eficiente, garantindo a prosperidade do negócio. Pesquisa do professor Dalton Sardenberg, da Fundação Dom Cabral, mostra que, há três anos, 34% das empresas familiares já contavam com um conselho. "Hoje, esse percentual deve ter dobrado", estima. Mas apenas criar um conselho não garante sucesso. É preciso escalar corretamente os conselheiros. Para isso, deve-se considerar, por exemplo, conhecimentos na área financeira e habilidades políticas e diplomáticas, além de capacidade de gerenciar conflitos entre acionistas e prever riscos internos e externos. Os membros do conselho também precisam ter gerado bons resultados nas organizações em que trabalharam. O ideal é mesclar profissionais da área de atuação da empresa com outros de diferentes setores, como tecnologia e jurídico. "O objetivo é formar um time com conhecimentos estratégicos que atendam as necessidades do modelo de negócio da empresa", afirma Sardenberg, da Fundação Dom Cabral.


TIPOS DE HERDEIROS

01 - acionistas
Por opção ou falta de perfil adequado, os herdeiros acionistas não ocupam cargo executivo na empresa da família. Mesmo assim têm papel importante nos rumos do negócio. Acompanham os resultados e participam das decisões que podem afetar direta ou indiretamente o futuro da empresa. Entre elas costumam estar a escolha de conselheiros, possíveis demissões e contratações de altos executivos, bem como a definição de seus respectivos salários e promoções. Podem ainda avaliar processos de expansão e aquisição e acompanhar os resultados do negócio. Em outras palavras: qualquer assunto estratégico precisa ter a sua aprovação. E, quanto maior a fatia do negócio herdada por eles, maior é o poder do seu voto nas decisões.

02 - gestores
São os herdeiros que desejam assumir cargos executivos na empresa da família e têm aptidão para essa tarefa. Normalmente integram o grupo de profissionais que serão preparados para suceder os fundadores da companhia. Um erro comum é esses herdeiros acreditarem que o cargo executivo confere a eles mais direitos sobre o negócio. Suas atitudes à frente da empresa devem sempre levar em conta os interesses da família e também de outros acionistas. Uma das vantagens da chegada desses herdeiros à empresa é que eles costumam modernizar a companhia e melhorar muitos processos, o que motiva os demais funcionários.

 

 

 


TIPO DE CONSELHOS

 

 

01 - administrativo
É responsável pela gestão da empresa. Formado por profissionais do mercado, herdeiros acionistas, fundadores ou herdeiros gestores que já se afastaram de seus cargos. Sua missão é atender as expectativas dos acionistas, proteger o patrimônio e ampliar os resultados. Para isso, acompanha, estimula e cobra um melhor desempenho dos executivos que comandam o negócio. Também gerencia riscos e conflitos e zela pelos valores da companhia. Tem poder para promover mudanças na direção da empresa, deliberar, inclusive em processos sucessórios e vetar decisões do presidente. Trata-se de uma atividade remunerada. Seus integrantes podem responder por problemas legais de ordem civil ou criminal que aconteçam na empresa.

02 - consultivo
As funções e o modelo de formação do conselho consultivo se assemelham aos do administrativo. Entre as diferenças está o fato de que as cobranças e orientações feitas por seus conselheiros não precisam ser adotadas pelos gestores do negócio. Além disso, não têm poder de decisão e nem responsabilidade legal quanto a problemas da empresa. Nem sempre esses conselheiros são remunerados. Diferente do conselho administrativo, no qual o nível de conhecimento dos membros é alto, no conselho consultivo, ele pode ser médio. Consultores de mercado recomendam que o primeiro conselho seja consultivo, para adaptar a empresa e seus executivos a lidar com as constantes cobranças feitas pelo conselho administrativo.

Com essa finalidade, o Extrabom definiu que seu conselho consultivo terá um membro com experiência em inteligência de mercado, um da área financeira e outro com conhecimento estratégico de varejo – todos profissionais do mercado. Segundo José Luiz Coutinho, diretor-presidente da rede, essa formação se justifica pelo atual momento de expansão da companhia e pela necessidade de no futuro se iniciar o processo de sucessão.

Um modelo comum nas empresas familiares, lembra Sardenberg, são os conselhos mistos, formados por herdeiros acionistas e profissionais de mercado. Outra combinação é ter herdeiros gestores e fundadores que não atuam mais na empresa. "Nem sempre os herdeiros e, em especial os acionistas, possuem as habilidades necessárias para o cargo. Já no caso dos herdeiros gestores e dos fundadores, vale lembrar que a experiência adquirida não é garantia de que serão bons conselheiros", avalia o professor. Por isso, é indicado à empresa preparar o pessoal da família para essa função, inclusive os que não cogitam participar do conselho. Afinal, eles participam das decisões estratégicas da companhia. Capacitação de herdeiros e gestores da família já é uma realidade no Extrabom. O motivo é preparar o pessoal tanto para o dia a dia quanto para assumir possíveis postos no conselho administrativo, que será criado em 2017. Entre as iniciativas está a participação em programas de desenvolvimento, como os voltados a famílias empreendedoras e acionistas. Reuniões com a participação de todos os familiares também acontecem periodicamente. Elas incluem a terceira geração, como membros que já são trainees na rede. "Falamos de resultados e apresentamos novos projetos. Também colocamos possíveis problemas à mesa e discutimos a atuação dos concorrentes, entre outros temas estratégicos", ressalta Coutinho. O Extrabom conta ainda com programa interno para o desenvolvimento de herdeiros gestores. Tudo isso para atingir o objetivo de continuar crescendo e se perpetuando, como deseja qualquer empresa familiar do setor.

» 34% das empresas familiares já contavam com conselho em 2011

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