Após Abilio prometer reformulação, BRF demite executivos

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10/03/2017

A companhia comunicou a saída dos executivos José Alexandre Carneiro Borges, de finanças, e Rodrigo Reghini Vie, de marketing

A reformulação da gestão da BRF, prometida por Abilio Diniz, não se restringe à revisão de processos gerenciais. Nesta quinta-feira (9/3), a BRF comunicou ao mercado que o diretor vice-presidente de finanças e relações com investidores, José Alexandre Carneiro Borges, e o vice-presidente de marketing, inovação e qualidade, Rodrigo Reghini Vieira, deixaram a companhia.

Segundo comunicado da empresa, o CEO global da BRF Pedro Faria acumulará interinamente o cargo de diretor de relações com investidores e Elcio Mitsuhiro Ito assumirá interinamente a diretoria de finanças. A BRF ainda sinalizou, no comunicado, que outras mudanças devem acontecer.

A saída dos executivos ocorre na esteira dos fracos resultados da companhia em 2016, quando teve prejuízo líquido de R$ 372 milhões. Em teleconferência com analistas em 24 de fevereiro, Abilio reconheceu erros da gestão, criticando o marketing estratégico da BRF. Dona das marcas Sadia e Perdigão, a companhia vem perdendo participação no mercado de alimentos processados para marcas como a Seara, da JBS.

Em entrevista ao Valor em janeiro, Abilio Diniz já havia criticado a estratégia para a volta da Perdigão em algumas categorias. A marca ficou anos suspensa pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em algumas categorias devido ao acordo feito para permitir a criação da BRF, a partir da incorporação da Sadia pela Perdigão. "Preparamos o retorno da Perdigão com a certeza de que íamos dar um grande salto em market share. Isso não aconteceu. Culpa de quem? Nossa. É hora de olhar para o espelho e não pela janela", reconheceu na ocasião.

Ambos os executivos demitidos eram ligados à Tarpon, gestora de fundos que tem como um dos sócios e fundadores Pedro Faria. O presidente da Tarpon, José Carlos Reis de Magalhães Neto, é membro do conselho de administração da BRF e também do comitê recém-criado por Abilio para atuar na reformulação da gestão da empresa.

Atualmente, a Tarpon é a principal acionista da BRF, com 11,9% do capital, seguida pelos fundos de pensão Petros, com 11,4%, e Previ, com 10,6%. À frente do conselho da BRF desde abril de 2013, Abilio tem pouco menos de 5% das ações da BRF. Ontem, os papéis subiram 1,85% na BM&FBovespa, fechando a R$ 40,80. O Ibovespa recuou 0,21%.

Fonte: Valor Econômico

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