Jornada contínua de trabalho reduz custos e aumenta produtividade

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09/01/2017

A constatação vem de pesquisas e exemplos praticados em algumas empresas espanholas


 
São 15h no relógio em uma terça-feira. Milhares de pessoas começam a sair de um edifício em um bairro no subúrbio de Madri, na Espanha. Parece o intervalo para o almoço; na verdade, é a saída do trabalho. Não é um feriado ou o horário especial de Natal. Neste escritório é o cotidiano. Acontece todos os dias desde 2008. Naquele ano, a empresa espanhola Iberdrola concordou com seus funcionários, cerca de 9.000 trabalhadores, em universalizar a jornada intensiva: trabalhar de 7h15 até 14h50 com 45 minutos de flexibilidade à hora de entrar ou sair todos os dias do ano. “A medida poderia beneficiar os trabalhadores e era boa para a empresa”, diz Ramón Castresana, diretor de recursos humanos da empresa. Seis anos depois, Castresana, que esteve no comando dessa mudança, defende a decisão com números: “Melhoramos a produtividade e ganhamos mais de meio milhão de horas por ano. Reduzimos as faltas em 20% e os acidentes de trabalho em 15%”. 

Empregado feliz rende mais 
"Um empregado que está mais contente rende mais”, diz um responsável
Paz Montes, 47, no departamento de suprimentos, viveu a mudança. Uma década depois de começar a trabalhar na empresa de eletricidade, participou da reforma do acordo coletivo. “A proposta foi da empresa”, lembra. “Foi vista com algum ceticismo. Pensávamos que queriam eliminar o formato intensivo de verão. 

Quando nos disseram que o objetivo era estendê-lo, foi uma surpresa.” Mas apesar de ser agradável, a medida enfrentaria críticas. Em primeiro lugar, as dos sindicatos: eles se queixaram de que esta proposta implicava em um aumento anual de 15 horas de trabalho. Em seguida, as de alguns diretores que tinham medo de sair da sala e que não houvesse ninguém; uma espécie de fobia do escritório solitário. E, finalmente, a de alguns trabalhadores que não sabiam como administrar um tempo ao qual não estavam acostumados.

“Quando você faz um horário por 30 anos, é difícil”, disse Castresana. “É uma grande mudança na cultura de trabalho”. “Posso não fazer a jornada intensiva?”, chegou a pedir um funcionário. Pilates, natação, inglês... Logo depois de se concentrar no trabalho, nos corredores começaram a falar das atividades extra-trabalho. “Não sei se alguém chegou a se inscrever em alguma delas”, brinca Montes. Em pouco tempo, ninguém queria nem ouvir falar de passar a tarde em frente ao computador. “A adaptação foi fantástica. E isso não gerou nenhum custo para a empresa", diz o diretor de recursos humanos. “Os funcionários tornaram-se conscientes de que precisam aproveitar bem o tempo para fazer seu trabalho e ir embora na hora certa”, acrescenta. “Evitam interrupções e se concentram no esforço. O resultado: maior produtividade”.

Fonte: El País

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