2 bilhões em oportunidades de vendas nas comunidades

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Por Redação SM - redacao@sm.com.br -

Esse é o potencial de consumo das 10 comunidades mais populosas que deve vencer o medo e o preconceito populosa do país. Em 2016 ela movimentaram R$ 141 bi. Uma oportunidade

Potencial de consumo das comunidades brasileiras
Confira quanto cada uma poderia gastar com os principais produtos de supermercados

  Rocinha (RJ) Rio das Pedras (RJ)  Heliópolis (SP) Paraisópolis (SP) Cidade de Deus (AM)
Alimentação no
domicílio
129 107 88 93 112
Higiene e
Cuidados Pessoais
19 16 15 15 17
Artigos de limpeza 5 4 4 5 4
  Baixadas
da Condor (PA )
Baixadas da Estrada
Novas Jurunas (PA )
Casa Amarela (PE) Coroadinho (MA) Sol Nascente (DF)
Alimentação no
domicílio
97 130 94 104 85
Higiene e
Cuidados Pessoais
15 19 18 14 19
Artigos de limpeza 4 5 4 4 4

 

Estudo recente realizado pela Outdoor Social revela o potencial de consumo das 10 comunidades mais populosas do País, entre elas Rocinha (RJ), Sol Nascente (DF), Nova Coroadinho (MA) e Heliópolis (SP), que totalizam 532 mil moradores. Segundo a empresa, o levantamento indica um potencial de mais de R$ 2 bilhões/ano, ainda a ser aproveitado por companhias de todos os setores, incluindo as do varejo alimentar. A Outdoor divulga campanhas publicitárias, específicas para as comunidades, e remunera os moradores locais sempre que ocupa um espaço – exemplo, o muro.

A perspectiva de aumento do consumo é confirmada por outro estudo, esse da Kantar Worldpanel. O instituto identificou crescimento no consumo da classe C, período julho/2016 a julho/2017, apesar da crise. Essa classe social compõe boa parcela das comunidades, e foi ela que mais comprou a cesta de 96 categorias. Também respondeu por aumento de 3,1% no volume das cestas, contra 1,5% da média de todas as classes sociais. Em limpeza, consumiu ainda mais: 10,1% ante 8,3% das outras classes. Em higiene e beleza, 5,5% x 4,5%, e em bebidas, 3,9% x 2,3%. A compra de alimentos, que apresentou queda de 0,4%, na classe C subiu 1,3%.

“Como os moradores de comunidades não gastam com escola particular ou carro novo, continuam consumindo o que é essencial e ampliando esse consumo”, explica Celso Athayde, CEO da Favela Holding, que reúne empresas locais para promover empreendedorismo e empregabilidade.

A verdade é que as favelas, embora rebatizadas de comunidades, continuam carregando o estigma de local de traficantes e drogas, violência e malandragem, desemprego e inadimplência. Tudo isso está nas favelas. Mas também fora delas. E a maioria dos moradores trabalha, tem salário, empreende e faz de tudo para honrar suas dívidas. Afinal, não podem perder a chance de novas compras financiadas. “São milhares de pessoas do bem, que produzem, lutam, conquistam”, alerta Celso.

A violência assusta e afasta muitas empresas das comunidades. Mas é bom lembrar que muitas outras se estabelecem nesses bairros e ali prosperam. Elas vencem barreiras, como a de logística. Fazem alianças com as lideranças locais genuínas e vão ocupando um espaço que beneficia a todos.

“O supermercadista pode atender as pessoas que compram para consumo próprio e também para preparar bolos, marmitas, tortas”, avisa Emília Rabello, fundadora do Outdoor Social. “Demanda existe. O que falta é oferta”, afirma.

Celso Athayde complementa: “os moradores consomem e querem consumir como qualquer outra classe social. Eles trabalham nos bairros onde moram a classe média e os ricos. Têm acesso às redes de supermercados e a lojas finas. Conhecem produtos que têm qualidade e não têm. Identificam marcas e versões sofisticadas. E têm aspirações que, na primeira oportunidade, deverão ser atendidas.

Emília Rabello chama a atenção para os produtos de limpeza e de higiene e beleza. O brasileiro, segundo ela, gosta de casa limpa, de manter a higiene pessoal e de se embelezar. É um mercado grande. “As empresas não devem confundir falta de saneamento básico com falta de interesse por cuidados pessoais e com o lar”, comenta.

Com a recuperação da economia, manter distanciamento desse público é perder vendas e clientes que deverão gastar cada vez mais. Os problemas nas comunidades existem e alguns continuam de difícil resolução. Mas comércio é comércio porque sempre esteve onde o consumidor está.

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