O sorriso sempre esteve ali. A alegria não. O talento sempre esteve ali. O desempenho não. O fantástico mundo do futebol sempre esteve ali. O equilíbrio na vida real não.
Os gols e dribles desconcertantes garantiram a Michael o posto de xodó da torcida do Flamengo, mas o atacante irreverente que vive a expectativa da final da Libertadores tem muito mais a comemorar no próximo sábado em Montevidéu. O Palmeiras é somente um rival a mais para quem carrega em gestos e palavras a vitória sobre a depressão.
Uma das armas de Renato Gaúcho na busca pelo tricampeonato da América, Michael é daqueles que trocam clichês por respostas surpreendentes em uma entrevista. Tanto que, em bate-papo com o ge, deixou claro: não se vê como titular se Arrascaeta, Everton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabriel estiverem à disposição. Postura de quem enxerga um jogo de futebol como apenas mais uma oportunidade de se divertir, seja por um ou 90 minutos.
O jeito “maluco”, como ele mesmo se define, não esconde a personalidade forte de quem encara os problemas da vida com mais consciência do que encara os zagueiros:
“Do nada, faço um trem que nem eu sei e acontece. Quando o cara está confiante, faz coisas que nem ele sabe. Se eu nem sei para onde vou cortar, como o marcador vai saber?”
Quando fala de desafios da vida real, Michael aprendeu o que fazer conscientemente. Depois de superar seus próprios fantasmas, como revelou no podcast “Barbacast”, usa a representatividade para ligar o alerta para quem sofre com transtornos como depressão e ansiedade:
“Venci, graças a Deus! Tomei remédio? Tomei. Mas venci. Hoje, sou um cara um pouco diferente, mas com o mesmo carisma e amizade que eu sempre tive. Às vezes, quem mais sorri é quem mais sofre, mas sofre calado”
– Sou grato a Deus, ao clube, aos meus médicos, minha mulher… Estava naquela época do “fique em casa” e eu trancado. Eu sou hiperativo, estava ficando doido. E Deus me ajudou. Depois de tudo isso, viver esse momento é maravilhoso.
Em 20 minutos de conversa divertida, mas não menos séria, Michael falou sobre a boa fase, a origem do bordão “quando está feio, esquece”, a recuperação do equilíbrio entre corpo e mente e das expectativas para a final da Libertadores. Flamengo e Palmeiras disputam o título mais importante das Américas no sábado, às 17h (de Brasília), no estádio Centenário, em Montevidéu.



